As importações de resinas termoplásticas, utilizadas como matéria-prima para vários produtos, por exemplo embalagens diversas, continuam firmes no mercado nacional. Em maio, os volumes totalizaram 163,4 mil toneladas, alta de 34% sobre o mesmo período do ano passado, de acordo com dados do Sistema Alice, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, compilados pela consultoria Maxiquim.Em abril, as compras externas atingiram recorde histórico, com 181 mil toneladas, alta de 64% em relação ao mesmo mês de 2012. No acumulado de janeiro a maio, os volumes importados alcançaram 734,8 mil toneladas, aumento de 21% em relação ao mesmo período do ano passado. A média mensal de importação desses produtos situa-se em 130 mil toneladas - o pico gira em torno de 160 mil toneladas, de acordo com fontes do setor. Nessas importações estão incluídos polipropileno (PP), polietileno (PE) de alta e baixa densidade, PVC, EPS (poliestireno expansível), entre outros itens. Em abril, o governo federal anunciou um pacote de incentivos ao setor químico e petroquímico, que, entre outras medidas, reduz a alíquota de PIS/Cofins de 5,6% para 1% às indústrias.O objetivo desse pacote é estimular investimentos e elevar a capacidade de produção de boa parte das companhias. O segmento de transformados plásticos não viu nessas medidas um incentivo para estimular a cadeia. As indústrias de transformação afirmam que os preços da resina no Brasil são menos competitivos que no mercado internacional. As medidas de incentivo ao investimento não têm impacto positivo sobre as cotações da matéria-prima, segundo a Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), que congrega 11 mil empresas, sobretudo de pequeno e médio portes.No início de junho, os preços das resinas, como polipropileno (PP) e polietileno (PE), estavam cotadas na faixa de US$ 2.000 a US$ 2.200 a tonelada, dependendo do tipo do produto, e o PVC em cerca de US$ 1.800 a tonelada, conforme apurou o Valor com fontes do setor. A Braskem é a maior fornecedora de resinas no mercado doméstico. "Os produtos importados são entre 15% e 20% mais baixos que os do mercado interno. Ficamos em uma situação difícil, falta competitividade", afirmou ao Valor uma fonte de uma das principais indústrias da terceira geração petroquímica.Com as recentes altas do dólar frente ao real, a diferença dos preços do mercado local e global tende a diminuir. Boa parte das resinas importadas vem da América do Sul, como Argentina e Colômbia, com tarifa zero de importação. Otávio Carvalho, diretor da consultoria Maxiquim, acredita que os volumes de itens importados devem diminuir nos próximos meses. "A volatilidade do dólar tende a reduzir o apetite por importação", disse. José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Abiplast, ponderou que a elevada importação deste ano tem como base 2012, um período considerado crítico para o setor petroquímico."A base de comparação é muito baixa", afirmou. Roriz disse que o setor vai ficar mais aquecido no terceiro trimestre, com as encomendas de fim de ano. Principal fornecedora de resinas do país, a petroquímica Braskem, do grupo Odebrecht encerrou 2012 com uma participação de mercado de 70%, ante 65% em 2011.No primeiro trimestre deste ano, as vendas totais de resinas no país atingiram 1,3 milhão de toneladas, alta de 5,6% sobre igual trimestre do ano anterior. A Braskem vendeu no mesmo período 921 mil toneladas, aumento de 6,2% - no período a fatia da companhia no país subiu para 71%. A expectativa do setor é de um aquecimento nas vendas internas para 2013, em relação ao ano passado. E não há perspectiva de que o déficit da balança comercial química recue. Em 2012, o rombo ficou em US$ 28,1 bilhões, recorde histórico.Entre janeiro e maio deste ano, atingiu US$ 12,1 bilhões, segundo informou a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim). Nos primeiros cinco meses do ano, foram importados US$ 18 bilhões, 13,5% acima em relação a janeiro a maio do ano passado.No mesmo período, as vendas ao exterior somam US$ 5,9 bilhões, recuo de 4,6% sobre o valor registrado um ano atrás. Os dados são preocupantes. Nos últimos 12 meses, de junho de 2012 a maio deste ano, o déficit em produtos químicos já supera US$ 30,6 bilhões, atingindo novo record.
Fonte: Valor Econômico, 20-06-2013
Nenhum comentário:
Postar um comentário