Páginas

08/04/2014

Aumento nas resinas preocupa setor plástico.

Críticas são focadas na Braskem, que concentra a produção nacional e que acompanha os preços internacionais.

Os fabricantes de produtos plásticos acabados estão enfrentando dificuldades para repassar os aumentos das suas principais matérias-primas: as resinas termoplásticas. As críticas são focadas na Braskem, grupo que concentra a maior parte da produção nacional de resinas e que adota uma política de acompanhar os preços praticados no mercado internacional.
Valores da empresa evoluíram até 27,6%, em 13 meses, até fevereiro


O protesto dos transformadores quanto às elevações de preço parece unânime, o que não é uniforme são os patamares que dizem que são praticados. Um empresário, que prefere não se identificar, informa que, de setembro até agora, a Braskem elevou o preço do polipropileno em 26%. Segundo ele, apenas em fevereiro houve dois realinhamentos, um de 6% e outro de 4,2%. E há rumores que estão previstos mais dois reajustes, em função do custo com energia, até o final de março. “Hoje, se a gasolina aumentar 2%, o Brasil inteiro berra, mas quantas pessoas sabem que o polipropileno subiu 26%?”, indaga o transformador. O empresário enfatiza que está sendo muito difícil repassar os preços das matérias-primas aos seus clientes.
Já outro empreendedor aponta que o valor do polipropileno, de setembro para cá, subiu 8% e de junho até o momento elevou-se 16%. Apesar desses percentuais inferiores em relação aos divulgados pelo colega, o transformador concorda sobre o problema de repassar valores. “A coisa está complicada, muito complicada.” Ele destaca ainda que as companhias gaúchas que atuam nessa área confrontam a concorrência de grupos de outros estados, como o de Santa Catarina, que contam com incentivos fiscais em relação ao ICMS. O empresário também se queixa que o Sinplast-RS (Sindicato das Indústrias de Material Plástico no Estado do Rio Grande do Sul) “fica quieto” em relação à situação.
O presidente do Sinplast-RS, Edilson Deitos, contra-argumenta que hoje o setor trabalha sob um monopólio que o sindicato, via a Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), questiona no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Outro ponto que Deitos ressalta é que o sindicato foi contrário ao posicionamento da Braskem quanto à medida da Câmara de Comércio Exterior (Camex), tomada em janeiro, que aplicou direito anti-dumping provisório, por um prazo de até seis meses, às importações de resinas de polipropileno oriundas da África do Sul, Coreia do Sul e Índia.
Deitos enfatiza que as movimentações com a Abiplast estão sendo realizadas. “Mais do que isso, não tem o que fazer, temos que atuar em cima de dados”, sustenta o presidente. Deitos acrescenta que, mesmo com uma desoneração de PIS/Cofins que a Braskem obteve na cadeia, os últimos resultados da empresa não foram exorbitantes para justificar um posicionamento mais forte. De acordo com Deitos, de dezembro a fevereiro, houve um aumento médio do polipropileno e do polietileno de cerca de 8,5%, devido a variação do dólar e o incremento das resinas no mercado internacional. De dezembro de 2012 a dezembro do ano passado, a variação média das duas resinas foi de cerca de 27%.
Em nota, a Braskem afirma que tem uma política transparente, consistente e de longo prazo de alinhamento de seus preços internos de resinas às cotações internacionais, além da variação cambial. De janeiro de 2013 a fevereiro de 2014, conforme o comunicado, os preços da Braskem evoluíram 27,6%. No mesmo período, houve um aumento de 15,1% dos preços internacionais das resinas e uma valorização de 14,5% do dólar frente ao real. A empresa informa que esse tipo de variação pode ocorrer tanto para cima como para baixo. Para o mês de março, o preço da resina de polipropileno, por exemplo, deve ter queda de R$ 70,00 a R$ 100,00 por tonelada, a depender da linha de família de produto, em razão do comportamento dessas duas variáveis.
Sinplast-RS teme avanço dos produtos importados no mercado
Sobre a concorrência com os produtos internacionais, o diretor da consultoria MaxiQuim Otávio Carvalho comenta que os itens que podem ser transportados mais facilmente e que têm uma melhor logística apresentam um perigo maior para os similares nacionais, como é o caso dos segmentos de filmes e não-tecidos. O consultor confirma que a variação do dólar impactou no aumento do valor das resinas no Brasil, mas argumenta que, apesar das queixas dos transformadores, o custo não está fora do contexto internacional. “O preço lá fora também subiu”, diz.

Carvalho recorda que um dos obstáculos que os transformadores brasileiros enfrentam é que seus produtos não são tão dolarizados como as resinas e possuem características de mercado regional. Além disso, essas companhias sofrem pressão de todos os lados. Das companhias petroquímicas, suas fornecedoras, que sobem o preço das matérias-primas, e dos seus clientes, que normalmente são grandes grupos de setores como o de alimentos, bebidas e automóveis e, muitas vezes, fazem “leilões” para fechar os acordos com os transformadores.
Sobre a concorrência com os produtos internacionais, o diretor da consultoria MaxiQuim Otávio Carvalho comenta que os itens que podem ser transportados mais facilmente e que têm uma melhor logística apresentam um perigo maior para os similares nacionais, como é o caso dos segmentos de filmes e não-tecidos. O consultor confirma que a variação do dólar impactou no aumento do valor das resinas no Brasil, mas argumenta que, apesar das queixas dos transformadores, o custo não está fora do contexto internacional. “O preço lá fora também subiu”, diz.
Carvalho recorda que um dos obstáculos que os transformadores brasileiros enfrentam é que seus produtos não são tão dolarizados como as resinas e possuem características de mercado regional. Além disso, essas companhias sofrem pressão de todos os lados. Das companhias petroquímicas, suas fornecedoras, que sobem o preço das matérias-primas, e dos seus clientes, que normalmente são grandes grupos de setores como o de alimentos, bebidas e automóveis e, muitas vezes, fazem “leilões” para fechar os acordos com os transformadores.
Carvalho recorda que um dos obstáculos que os transformadores brasileiros enfrentam é que seus produtos não são tão dolarizados como as resinas e possuem características de mercado regional. Além disso, essas companhias sofrem pressão de todos os lados. Das companhias petroquímicas, suas fornecedoras, que sobem o preço das matérias-primas, e dos seus clientes, que normalmente são grandes grupos de setores como o de alimentos, bebidas e automóveis e, muitas vezes, fazem “leilões” para fechar os acordos com os transformadores.

Em um mercado globalizado, quando uma empresa vai perdendo competitividade, há o risco de ceder espaço para os concorrentes estrangeiros. O presidente do Sinplast-RS, Edilson Deitos, admite que existe a preocupação de que o preço elevado das resinas nacionais permita que entre no mercado brasileiro uma maior quantidade de produtos importados, provenientes de nações com custo de produção menor, como a China. Hoje, o dirigente estima em cerca de 10% a participação dos artigos transformados estrangeiros no mercado do País.

Nenhum comentário: